Thomas J. J. Altizer Fatos


O pensador americano Thomas J. J. Altizer (nascido em 1927) teve um grande impacto na teologia na última metade do século XX. Mais conhecido como o expoente e desenvolvedor da “morte de Deus”, sua obra foi pouco compreendida em seu próprio tempo.<

Uma descendente e homônima de Stonewall Jackson, Thomas J. J. Altizer nasceu em 28 de setembro de 1927, em Cambridge, Massachusetts; seu pai era um distinto advogado. Ele cresceu em Charleston, West Virginia, e formou-se lá em 1944 na Stonewall Jackson High School. Após um ano na St. John’s College, ele se alistou no Exército dos EUA. Depois do serviço militar, ele se alistou na Faculdade da Universidade de Chicago, da qual se formou com honras em 1948. Em 1951 ele recebeu o Mestrado em Teologia na escola de divindade e em 1955 o Doutorado em História das Religiões na Graduate School da Universidade de Chicago. Seus principais mentores durante seu curso de pós-graduação foram Joachim Wach, Mircea Eliade, e Paul Tillich.

De 1954 a 1956 ele lecionou no Wabash College, e em 1956 ele foi para a Universidade Emory onde lecionou no Instituto de Pós-Graduação em Artes Liberais e na Divisão de Pós-Graduação em Religião. Em 1968 tornou-se professor de inglês na State University of New York em Stony Brook. Mantendo sua posição em inglês, em 1970 tornou-se presidente de uma nova unidade interdisciplinar em estudos religiosos em Stony Brook. Ele já havia lançado um rigoroso programa de pensamento e escrita sobre teologia.

Nenhum pensador americano na última metade do século XX trabalhou mais produtivamente ou com maior singeleza de propósito para a realização de sua visão teológica do que Thomas Altizer. Desde o início, essa visão abrangeu a restauração e realização do apocalipse cristão bíblico e a extensão das reivindicações desse apocalipse a um diálogo com outras religiões mundiais, notadamente o budismo. Vendo a cristandade como a negação histórica do que havia sido anunciado em e por Jesus como o fim da história (isto é, o Reino de Deus), ele viu na “morte de Deus” moderna a realização historicamente atual do apocalipse primordial, a realização consciente de que Deus havia se esvaziado de toda alteridade absoluta e transcendente e entrado plenamente na identidade e diferença do cosmos humano. Esta kenosis (auto-esvaziamento), decretada na Encarnação, tinha, após séculos de má leitura cristã, sido realizada através da dialética da história, sobre a qual um Deus totalmente imanente prevaleceu apesar das intervenções satânicas da Cristandade e seus teólogos ortodoxos.

A dialética do apocalipse bíblico—a da identidade de Deus, da diferença de Deus de si mesmo e do mundo, do mundo de si mesmo e de Deus—tinha sido

preservadas e renovadas nas tradições épicas do mundo ocidental, em Homero e Virgil e, sobretudo, em Dante, Milton, Blake e Joyce. Sem fugir—de fato enfatizando—sua base bíblica, a teologia de Altizer viu assim, nas condições da consciência moderna, a fruição final do cristianismo original, a perfeição da reapresentação de Deus por Jesus. Essa fruição marcou o fim da história como conhecida pela consciência ocidental e, em termos religiosos, o início da religião universal (mas não absoluta).

O poder e a sutileza do trabalho de Altizer foram tão pouco compreendidos pelos teólogos profissionais quanto pelos da mídia popular. Isso resultou em grande parte de ter se distanciado criticamente das duas principais opções da teologia cristã protestante dos séculos XIX e XX. Embora considerado “radical” por todos, Altizer rejeitou firmemente o liberalismo dos séculos XIX e XX (Schleiermacher, Harnack) e sua pretensão de fundamentar a fé cristã na personalidade religioso-ética de Jesus à qual temos acesso pela pesquisa histórica. Da mesma forma, ele rejeitou com firmeza o liberalismo do século XX pela teologia neoortodoxa ou neo-reformista (Barth, Brunner): em Jesus temos a Palavra de Deus lançada na condição humana como uma palavra alienígena sobre e do Outro Absoluto e Totalmente Outro. Em alta transcendência destas opções, Altizer moldou sua teologia utilizando as formas lingüísticas de Hegel, Kierkegaard e Nietzsche e a substância da Bíblia, mediada pelas artes: literatura épica, música, pintura e escultura. O professor Mark Taylor escreveu corretamente: “Quando a história da teologia do século XX for escrita, um de seus capítulos principais será dedicado à obra de Thomas J. J. Altizer”

Leitura adicional sobre Thomas J. J. Altizer

As de 1997 Altizer tinha escrito onze livros principais. Oriental Mysticism and Biblical Eschatology (1961); Mircea Eliade and the Dialectic of the Sacred (1963); The Gospel of Christian Atheism (1966); The New Apocalypse: The Radical Christian Vision of William Blake (1967); The Descent Into Hell (1970); The Self-Embodiment of God (1977); Total Presence (1980); e História como Apocalipse (1985); e The The Theology of Altizer: Crítica e Resposta, editado por John B. Cobb, Jr. (1970), no qual dez colaboradores avaliaram a teologia de Altizer e ele respondeu. Em Thomas W. Ogletree’s The Death of God Controversy (1966) a teologia de Altizer é avaliada e comparada com a de dois outros teólogos “radicais” nos anos 60—William Hamilton e Paul van Buren. William Robert Miller em The New Christianity (1967) coloca Altizer no contexto do pensamento religioso moderno. Em America and the Future of Theology, editado por William A. Beardslee (1967), Altizer comentou sobre o futuro da teologia e teve suas próprias contribuições para esse futuro comentadas por outros.

As avaliações mais sutis e penetrantes dos três últimos livros de Altizer podem ser encontradas em dois grandes artigos de revisão: Charles E. Winquist, “Thomas J. J. Altizer”: In Retrospect”, Religious Studies Review (outubro 1982) e Mark C. Taylor, “Altizer’s Originality”, Journal of the American Academy of Religion (setembro 1984).


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