Rubem Fonseca Facts


Rubem Fonseca (nascido em 1925) foi o mais conceituado autor brasileiro do final do século 20, com uma série de sucessos críticos e populares que combinaram

o formato convencional de mistério/thriller com um estilo de prosa sofisticado e polido e um foco na alienação urbana.<

Rubem Fonseca tornou-se um dos autores mais lidos do Brasil tanto por sua imensa habilidade em criar personagens e situações credíveis quanto porque seus temas abordavam uma população urbana cada vez mais distante de si mesma. Ao contrário de muitos autores latino-americanos que não conseguem atrair um seguidor no exterior, Fonseca foi um escritor completamente cosmopolita que escapou do exótico ou pitoresco— um fato que pode explicar sua popularidade generalizada na Alemanha, França e, cada vez mais, no mundo anglófono.

Ao abordar as condições humanas católicas de solidão, alienação e frustração, Fonseca foi tanto um escritor brasileiro quanto um escritor universal. Usando as armadilhas externas do thriller e da história do detetive para enquadrar sua narrativa, com hommages ao gênero duro de Raymond Chandler e Dashiell Hammett, Fonseca estava no entanto profundamente enraizado em sua própria cultura, acessível tanto ao leitor casual quanto ao crítico profissional.

Fonseca pode facilmente ser confundida com um sensacionalista que procura uma fácil titilação na violência lúgubre. Seus temas e personagens frequentemente tratavam do submundo da patologia que se encontra logo abaixo da superfície das vidas de trabalho e seus temas incluíam tópicos tão bizarros como concursos de “acoplamento sexual”, travestis, esquadrões da morte, assassinos profissionais e assassinos psicóticos disfarçados de homens de negócios enfadonhos, cujas vidas de desespero silencioso são pontuadas por episódios de assassinatos aleatórios e sem motivação.

No entanto desagradável, o mundo de Fonseca foi uma metáfora para a sociedade, especialmente para a sociedade brasileira nos anos da morte do século 20. Que ele falou a um grande segmento do público leitor pode ser visto na popularidade fugitiva de seus três romances publicados entre 1983 e 1988, todos os quais subiram ao topo da lista dos mais vendidos. Ele compartilhou com Jorge Amado a rara posição de um dos poucos romancistas brasileiros cujos trabalhos tão aguardados foram publicados em impressões em massa em uma nação onde uma tiragem normal é de 3.000 exemplares.

A Grande Arte (1983; traduzido como High Art, 1987) é uma história de vingança que demonstra a habilidade de Fonseca em revelar o caráter através da ação. O protagonista é um advogado que pode estar disposto a contornar os limites da legalidade para um cliente, mas cuja lealdade é inabalável. Quando sua amante Berta é estuprada, ele parte atrás de seu agressor, jurando usar a mesma arma, uma faca, que havia sido empregada no crime. No final, ele é frustrado pelo único inimigo que não pode vencer— ele mesmo.

In Bufo & Spallanzani (1986; traduzido em 1990) o narrador é um romancista cujas obsessões gêmeas—fornicando e comendo—levam a complicações quando um de seus amantes, a esposa de um milionário, é encontrado morto em seu carro. (Entre as delícias do romance está a mistura lúdica e altamente original de imagens sexuais e alimentares de Fonseca). Ele se torna o alvo tanto da investigação policial por um inspetor obstinado quanto do marido da mulher, furioso ao descobrir que ele foi cornudo. Este trabalho minuciosamente pós-moderno combina sexo, violência, conceitos de estética e metaficção em uma comédia negra espirituosa.

>span>Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos (1988; Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos) examina o desespero de um diretor de cinema cuja amante, Ruth, cometeu suicídio. Em busca de fuga, ele aceita uma oferta da Alemanha Ocidental para filmar a Cavalaria Vermelha de Isaac Babel na Europa, mas não antes de se envolver involuntariamente em um mistério envolvendo pedras preciosas roubadas e assassinatos. De maneira típica de Fonseca, os dois temas se unem de maneira emocionalmente satisfatória no final. Pelo caminho, o leitor aprende muito sobre diamantes, Babel, e cinema.

Por todo seu sucesso como romancista, Fonseca ganhou primeiro o reconhecimento crítico e popular como escritor de contos. Suas duas coleções mais conhecidas, Feliz Ano Novo (Feliz Ano Novo, 1975) e O Cobrador (The Taker, 1979), mostram um domínio de técnica e concisão de estilo que por si só lhe garantiriam um lugar nas primeiras fileiras dos autores brasileiros contemporâneos. A história título em Feliz Ano Novo, que conta de um bando de assaltantes de bancos que invadem uma festa privada na noite de Ano Novo para estuprar e matar, foi tão graficamente intensa e tematicamente chocante que o livro foi suprimido pela ditadura militar; não foi até 1989 que Fonseca ganhou um processo judicial que o livrou de ofensas contra a “moralidade e os bons costumes”. A história do título em O Cobrador, uma viagem à mente de um assassino em série psicopata, é indiscutivelmente ainda mais impressionante. “Ship Catrineta” é uma comédia negra sobre uma família urbana e sofisticada no Rio de Janeiro, que por acaso é canibal. O único conto humorístico simples de Fonseca é o hilariante “Corações solitários”, no qual uma ex-repórter policial vai trabalhar como colunista de conselhos para um jornal feminino. Em 1994 ele publicou seu sexto romance O Selvegan da Ópera (O Selvagem da Ópera), que conta a história do compositor de ópera Antonio Carlos Gomes (1836-1896).

O mais recluso dos escritores contemporâneos, Fonseca era freqüentemente chamado de Greta Garbo do Brasil. Embora não concedesse entrevistas, ele podia ser frequentemente avistado logo após o nascer do sol correndo ao longo da praia, na seção do Leblon do Rio de Janeiro, onde morava com sua esposa Théa. Fonseca se absteve firmemente de comentar o significado de sua escrita, preferindo deixar seu trabalho falar por si mesmo. Ele comentou, no entanto, em certo ponto: “Talvez eu seja o Criador”

Embora seus temas, às vezes horríveis e um tratamento implacável de seu assunto, Fonseca era para seus intimidadores um indivíduo caloroso, acessível, com um delicioso senso de humor e uma alegria de viver sem limites.

Rubem Fonseca nasceu em 1925 no estado de Minas Gerais e viveu no Rio de Janeiro a partir dos sete anos de idade. Ele e sua esposa, ex-tradutora de inglês, tiveram três filhos. Ele se formou nos Estados Unidos e foi escritor com residência na Alemanha Ocidental em 1988. No final dos anos 80 ele se tornou um entusiasta da computação, compondo seus últimos trabalhos no teclado de seu IBM-clone.

Leitura adicional sobre Rubem Fonseca

Os romances da Fonseca disponíveis em inglês incluem High Art, traduzido por Ellen Watson (1986); Bufo & Spallanzani, traduzido por Clifford Landers (1990); e Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos, traduzido por Clifford Landers. Seus contos já apareceram em publicações que vão desde Latin American Literary Review (“The Ship Catrineta”) e Brazil/Brazil (“Lonelyhearts”) até Ellery Queen Mystery Magazine (“Night Drive”). Uma breve biografia, que também detalha algumas de suas histórias, pode ser encontrada em World Authors 1985-1990 (1995).


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