Manuel Prado Ugarteche Fatos


b> O aristocrático líder político peruano Manuel Prado Ugarteche (1889-1967) foi duas vezes presidente, e embora eleito por grupos conservadores e centristas, ele tentou reduzir as tensões dentro de sua nação incorporando elementos mais populares.<

Manuel Prado nasceu em Lima em 21 de abril de 1889. Seu pai, o General Mariano Ignacio Prado, foi presidente do Peru por dois curtos períodos na segunda metade do século XIX. Manuel Prado formou-se na Escola Nacional de Engenharia em 1915. Em 1918 ele se casou com Enriqueta Garland, e nasceram um filho e uma filha; após 40 anos o casamento foi anulado, em meio ao clamor popular, e ele então se casou com Clorinda Málaga.

Após obter seu diploma de engenharia, Prado se envolveu na administração das propriedades de sua família, desenvolvendo como sua especialidade a direção dos interesses bancários da família. Ele também encontrou tempo para outros empreendimentos: entre 1915 e 1919 ele lecionou matemática em San Marcos e foi, nesse mesmo período, o editor da Science Review da universidade.

Prado também iniciou sua carreira política naqueles anos, tornando-se membro do Conselho Municipal de Lima em 1915. Tornou-se então membro do Congresso peruano em 1919 e, apesar de não se ter feito particularmente notável, foi forçado ao exílio em 1921 pelo ditador-presidente Augusto Bernardino Leguía. Prado compartilhou esse destino com a maioria dos peruanos reformistas de sua época, embora ele mesmo não fosse um entusiasta de reformas. Ele permaneceu no exílio até 1932 e não retomou sua carreira política até 1939.

Primeiro Termo

Quando Manuel Prado foi eleito presidente em 1939, ele havia sido aparentemente escolhido por causa de sua moderação; de fato, ele trouxe um grau considerável de paz política a sua nação através de suas tentativas de suavizar as divisões e reduzir as tensões. Ele havia, segundo consta, chegado a um entendimento secreto com a APRA (Alianza Popular Revolucionaria Americana) não marxista de esquerda antes da eleição, comprometendo-se com a legalização do partido. De fato, ele não concedeu ao partido um status legal, mas ele reduziu as pressões sobre ele.

Embora não tenham sido feitos ataques sérios durante a primeira administração do Prado sobre os problemas fundamentais do Peru, ele se tornou um presidente popular. Ele também conseguiu permanecer no cargo por todo o seu mandato, algo que nenhum outro presidente civil havia feito desde 1914. Sua administração foi capaz de capitalizar a derrota de uma força equatoriana em uma guerra de fronteira em 1942, e o assentamento diplomático deu ao Peru o título de territórios amazônicos em vastas áreas.

Em 1945 Prado cooperou com uma força política recentemente surgida, a Frente Democrática Nacional, que representava os moderados, incluindo alguns elementos dentro da própria APRA. O candidato da coalizão, José Luis Bustamente y Rivero, foi eleito como sucessor de Prado; mas logo houve uma renovação da violência, ao mesmo tempo em que houve um impasse virtual no governo. Em outubro de 1948, o exército, liderado pelo general Manuel A. Odría, depôs Bustamente, proibiu novamente a APRA e estabeleceu um governo que durou até 1956.

Em 1956 uma mudança parecia ser indicada: a era da prosperidade sob Odría havia chegado ao fim, e com ela havia chegado o colapso dos projetos de obras públicas. Também no final estava a trégua política que havia surgido. Para afastar a ameaça de renovação da violência, uma coalizão de elementos moderados e conservadores persuadiu Manuel Prado a aceitar a presidência. Ele tomou posse mais uma vez em julho de 1956.

Segundo Termo

Prado tinha recebido o apoio da APRA, bem como o de Odría, em grande parte devido à ameaça de um novo grupo de reforma, a Frente Nacional da Juventude Democrática, liderada por Fernando Belaúnde Terry.

Os anos da segunda administração do Prado foram anos de crise. O declínio nos últimos anos de Odría ameaçou se tornar um colapso econômico. As receitas governamentais caíram e, cada vez mais, os efeitos de uma inflação tolerada pelo governo foram sentidos. Embora o regime Prado tivesse o apoio de uma maioria, incluindo a APRA, cujos aderentes foram nomeados para cargos no Gabinete, ainda tinha grande dificuldade em governar. Alguns de seus problemas econômicos foram resolvidos quando, em 1959, Pedro Beltrán, um dos principais porta-vozes das doutrinas econômicas conservadoras, foi persuadido a aceitar o primeiro lugar e foi autorizado a elaborar novas políticas fiscais.

Estas políticas, entretanto, trouxeram grande impopularidade ao governo, já que incluíram a eliminação de subsídios a alimentos, gasolina e muitas outras necessidades, bem como a adoção de várias reduções de despesas públicas de aperto de cinto. Os elementos nacionalistas ficaram furiosos com os lucros supostamente maiores das empresas petrolíferas de propriedade estrangeira; os conservadores ficaram amargurados com a aparente dependência do governo de Prado em relação à APRA e com o rumor de que o “acordo” que permitiria à APRA capturar as próximas eleições. Ao clamor desses dois grupos foi adicionado o dos reformadores, representados por Belaúnde.

A eleição foi realizada no início de junho de 1962, mas nenhum dos três principais candidatos (Odría, Haya de la Torre e Belaúnde) conseguiu obter a maioria necessária. Quando foi relatado que havia sido alcançado um acordo entre os seguidores de Odría e a APRA, elementos do exército se deslocaram para o palácio presidencial na madrugada de 18 de julho e substituíram Prado por uma junta de três homens representando os serviços militares. Prado foi logo autorizado a exilar-se e permaneceu em Paris até sua morte em 15 de agosto de 1967.

Leitura adicional sobre Manuel Prado Ugarteche

Não há biografia de Prado em inglês. Para um relato adequado do Peru durante os anos de sua proeminência política ver Frederick B. Pike, The Modern History of Peru (1967).


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